19.3.16



O dia que eu aprendi a apreciar uma obra do jeito que ela deve ser apreciada e passei a ser uma ouvinte ativa –ou me notei como uma.

Queria começar a indicar aqui no blog alguns álbuns que tenho ouvido e estou gostando muito. Poderia indexar vários deles mas não seria a forma mais convincente de fazer com que vocês escutem. Então decidi começar contando a minha experiência e, quem sabe, eu consiga convence-los que esta prática (de ouvir álbuns do início até o final, na ordem certinha) pode mudar completamente a sua forma de consumir música.

Eu nunca fui do tipo que escuta álbuns completos. Encontrava uma música, baixava para escutar e pronto. Poucos foram os CD's que comprei na vida. Era uma ouvinte passiva, apesar de sempre ter essa ligação forte com a música.

*Lembrando que ouvintes ativos tem como objetivo entender o que está sendo dito/cantado, enquanto os passivos apenas ouvem.

Hoje em dia temos a moda do streaming. Colocamos alguma playlist para tocar e adicionamos as nossas faixas favoritas. Eu tenho umas 20 playlists com vários artistas que não conheço mais de 3 ou 4 músicas. Músicas ótimas, se encaixam perfeitamente em algumas das minhas playlists temáticas que eu adoro fazer e vocês adoram ouvir –e eu vou voltar a fazer! Aquele meu trauma do grooveshark já está passando e as novas serão no spotify, mesmo!–.

Mas de uns tempos pra cá, isso tem mudado e eu tenho prestado mais atenção em álbuns como uma obra completa, do jeitinho que deve ser.

Em Agosto de 2014 eu fui pela primeira vez ao show da minha banda nacional favorita do momento, a 5 à Seco. Foi o show de lançamento do CD Policromo. Eu já tinha escutado a maioria das faixas no soundcloud da banda, aleatoriamente.
Comprei o CD logo após o show. Meu computador não tem nem entrada para CD, mas gosto de ter a versão física das coisas. Eles autografaram e o Vinicius deixou um recadinho fofo, até. Estava louca para chegar em casa e escutar outra vez aquelas mesmas músicas lindas que escutei ao vivo e ainda não conhecia. Eu ainda tinha um rádio antigo que eu poderia usar.





Peguei o rádio, fechei a porta e coloquei o CD para tocar. Não queria fazer mais nada além de me concentrar nas vozes, nas letras, nos instrumentos, porque ao vivo foi uma experiência incrível. Eles não usavam apenas instrumentos para fazer música.

Mas espera! Isso não era um costume de antigamente? As pessoas iam até a loja de discos, passavam horas escolhendo, chegavam em casa e colocavam para tocar. A única preocupação era ouvir o disco inteiro. Lado A e lado B. Não podiam passar para a próxima faixa se não gostassem da introdução. E mesmo não gostando, elas entendiam do disco melhor do que qualquer um, porque elas realmente o escutaram.

As faixas do Policromo iam passando uma a uma e eu acompanhava a letra pelo CD. De repente eu percebi que o fim de uma música está diretamente ligado ao início da próxima. Vezes pelo mesmo tom, vezes pelo mesmo efeito sonoro.

Conhecendo mais a fundo o trabalho de cada membro da banda (sim, todos eles tem uma carreira além da 5 à Seco), eu sei que as músicas estão onde estão por algum motivo. Eles sempre tomam cuidado em cada passo que dão. Cada coisa em seu lugar, inclusive a ordem das músicas.

Mas Policromo não é o primeiro e nem único álbum assim. Só é o que me fez perceber isso. Querem mais um exemplo?


Deus! Como eu amo esse álbum! Só elogios para ele!

Não fazer nada, apenas sentar e ouvir música parece ser um passatempo raro nos dias atuais. Mas não é um passatempo diferente de sentar e ler um livro por horas, na minha opinião. São formas diferentes de consumo. Ambas te proporcionam sensações. Uma pela visão e a outra pela audição.

Quando um amigo me mostrou o Based On a True Story da Fat Freddys Drop, disse que me apresentaria o álbum a partir da penúltima música, Del Fuego, pois era uma música mais "fácil" de se gostar.

Visto que todas as faixas desse álbum tem uma média de 7 minutos, as introduções são bem longas. Pessoas ansiosas tendem a esperar pela parte cantada e esquecem de prestar atenção nos instrumentos e/ou efeitos sonoros. E neste álbum, eles são tão incríveis quanto a voz de Joe Dukie, que é firme, macia e envolvente.

Este amigo ainda não conhecia meus gostos musicais, entendi o medo. Mas ele acabou me apresentando um álbum que, hoje, considero um dos meus favoritos para ouvir em qualquer ocasião. Porque ele não cansa.

Existe uma diversidade muito rica de instrumentos e influências: reggae, soul, jazz, funk... E a melhor parte é que o álbum faz um looping maravilhoso. Começa calmo em um groove bem gostoso, vai crescendo e ficando animado. Logo em seguida volta a ficar calmo e acaba. E recomeça. E você nem percebe se não conhece.

Garanta estar com um bom som ou bons fones de ouvido ao ouvir esse álbum, você não vai querer perder nenhum detalhe. O baixo nele é uma das coisas mais incríveis. E não é porque é o meu instrumento favorito, ele realmente foi muito bem colocado! 

Para finalizar, um clássico. The Wall é um álbum reúne algumas das minhas músicas favoritas da Pink Floyd. Mas só quando sentei a minha bunda para ouvir o disco inteiro, na ordem, prestando atenção nas letras, percebi que elas tinham alguma ligação muito interessante, além da parte sonora.

De curiosa que sou, fui pesquisar e descobri que o álbum, de fato, conta uma história. Se você é fã da banda, deve estar parecendo óbvia esta informação. Mas não costumo conversar tão a fundo sobre música com as pessoas e descobri por conta própria. O que me deixou muito feliz, olha a minha percepção dando as caras! hehe.

Resmindo: The Wall conta a história de Pink, uma criança que perdeu seu pai na Segunda Guerra Mundial, era oprimido por sua mãe super protetora e atormentado por seus professores, que se comportavam como tiranos, ditadores. Pink cresceu, se tornou um Rockstar e, também, dependente químico. O vício nas drogas acaba fazendo com que Pink construa um muro em sua mente e ele se isola completamente do mundo.

A história é bem longa, complexa e MUITO interessante. O post ficaria 3 vezes mais longo. Se tiver interessado em detalhes, clique aqui.



Se você escuta as músicas de modo aleatório, provavelmente não entende o motivo de tantas vozes e efeitos sonoros como som de helicóptero, telefone e outras coisas. Você precisa entender todo o contexto e tudo vai fazer sentido. Inclusive, há quem pense que a música Another Brick in The Wall, que é dividida em 3 partes, é para ser ouvida em sequência, mas acontecem muitas coisas entre uma parte e outra.

Você embarca em uma viagem sonora muito louca e, se fizer um esforço, pode ver um filme na sua cabeça.

Em um grande álbum, cada faixa é como se fosse um capítulo de um livro. Quando você escuta no modo shuffle ou apenas os singles, é como se você começasse a ler um livro no capítulo 7, pulasse para o prefácio ou procurasse entre as páginas apenas suas partes favoritas sem saber o que trouxe a história até aquele momento.

Não faz sentido.



Não são todos os álbuns que contam uma história ou tem uma ligação entre uma música ou outra. Mas acho que todo álbum vale esse esforço, ainda mais se você for fã de um determinado artista. É uma experiência que todos os apaixonados pela música devem viver.

♥♥♥

É um post enorme mas é uma experiência que eu precisava compartilhar. Se eu atingi uma pessoa, já valeu todo o meu esforço para escrever.

Se você já ouviu algum álbum completo, por favor, me conte como foi a experiência. Aceito sugestões e indicações!

Se você ainda não fez isso, fica aí o convite. Pegue a sua música favorita e ouça um álbum dela do início ao fim, sem pular e sem interromper. Depois volte aqui e me conte como foi a experiência.

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Olá. Eu sou a Ana, tenho 20 anos e acabei de sair de Petrópolis (região serrana do Rio de Janeiro) para viver novas experiências na grande São Paulo. O Bolas de Meia é o meu cantinho onde compartilho um pouco do que sei, vejo, vivo e sinto. Para me conhecer melhor, clique na foto acima ou me encontre nas redes sociais abaixo.





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